

Calma
6h20
Manhã bonita, agradável... fresquinha.
Vai fazer um belo dia!
Acordo bem disposto, alegre, feliz.
Lembro que estou sem condução,
o carro está no conserto! Bateram nele.
Bateram mesmo!
7h15
Depois de um bom banho
e um melhor café da manhã, estou aqui,
no ponto do ônibus.
Ele demora, não vem...
As bicicletas passam rápidas; centenas delas.
Rapazes e moças indo trabalhar. Pessoas
idosas também passam pedalando.
Porque será que elas não vão de ônibus?
Ninguém passa pra dar uma carona.
Mais gente chegando ao ponto.
A meninada do Monsenhor joga bola
na quadra da frente.
Um menino sobe na trave, outro chuta a bola,
todos correm, a professora apita, eu...
espero o ônibus.
Nos esperamos o ônibus, que demora!
7h30
Hoje ele esta demorando, comenta um casal.
7h40
Já estou cansado, encosto na parede.
A moça de branco senta-se à porta da loja...
ela...espera.
Que horas são, pergunto à ela?
7h45
Pois é, e todos pagam por um serviço
de péssima qualidade! Falta de respeito...
depois, quando sai quebra-quebra ...
7h50
Os alunos do Monsenhor continuam jogando,
felizes... eles têm tempo !
Tempo bom, tempo de novas amizades,
conhecimentos... experiências.
E eu esperando o ônibus e exercitando
a paciência com o transporte coletivo de
Rio Claro.
Um casal vai telefonar perto da banca de revistas.
Acho que vai chegar atrasado! Tenho que chegar
ao laboratório até às 8 horas, diz o velhinho
com um embrulhinho na mão.
Porcaria de ônibus!
Lá vem ele, diz alguém... vem lotado!
Será que vai parar?
Parou.
Não da para entrar. Moça, da um passinho
pra frente por favor!
Entrei...só eu. Os outros ficaram esperando
o próximo ônibus. Ele vai chegar logo,
diz o motorista.
Lá vou eu, apertado, espremido, equilibrando-me
e despencando pela rua seis.
O ônibus não pega mais ninguém! Não para mais
em nenhum ponto.
8h20
Desço ao lado do Cemitério Evangélico.
Viagem “de morte”.
Manhã bonita; fresquinha.
Vai fazer um belo dia.
Chego ao trabalho todo amassado, transpirando,
cansado...!
Porcaria de ônibus!
Porcaria de dia!